Mensagem de Rogério Pontes
Uma das premissas mais negligenciadas — mas também mais fundamentais — é essa: empresas não quebram por falta de lucro. Elas quebram por falta de liquidez.
E, muitas vezes, quanto maior a receita, maior o buraco que se cava.
Geralmente faço três perguntas simples para o empresário — e a maioria não sabe responder:
1. Qual é o seu ponto de equilíbrio por regime de caixa?
2. Qual é o seu ponto de equilíbrio por regime de competência?
3. Qual é a sua margem de contribuição?
Quando essas respostas não estão claras, só existe uma certeza: ou o banco está financiando a operação, ou o cliente está deixando de pagar os impostos.
O que observo é que a maioria das empresas desperdiça entre 5% e 10% do seu lucro bruto todos os meses, por três motivos principais:
contratos mal negociados, decisões impulsivas (ou paralisadas) e precificação mal feita.
Esse desperdício geralmente está oculto em três frentes: passivo bancário, passivo tributário e má gestão operacional.
A ausência de dinheiro raramente é o problema em si. Na maioria das vezes, é apenas um sintoma de uma estrutura desorganizada, sem governança, sem clareza nos papéis e com as pessoas mal alocadas.
Porque uma empresa é feita de pessoas. E para que ela funcione com eficiência, é preciso que cada talento esteja na posição certa, fazendo aquilo que sabe fazer de melhor.
O dom do empresário, quando aliado a um time bem posicionado, se transforma em potência. Mas isso não acontece por acaso — exige consciência, ajustes e decisões consistentes ao longo do tempo.
Muitas empresas acreditam estar organizadas por terem lucro ou movimentarem altos volumes. Mas a desorganização, na maioria das vezes, está no campo invisível: no emocional.
Medo de investir. Apego ao controle. Vaidade disfarçada de estratégia.
Excesso ou escassez de dinheiro — ambos podem ser sinais de desorganização interna, emocional e estrutural.
Meu trabalho é revelar o que está por trás dos sintomas. Dissolver o medo. Reorganizar o invisível.
Quando a verdade aparece — com coragem — ela reorganiza tudo.